11 de setembro de 2020

''Acho isso muito perigoso'', diz Moisés sobre processo de impeachment

 


O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), afirmou nesta quinta-feira (10) que uma “vontade de trocar o governo" e um possível “inconformismo com a eleição” estão por trás dos dois processos de impeachment contra ele na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), e afirmou que acha isso "muito perigoso". Em entrevista ele declarou que não há “justa causa” para o afastamento, e voltou a negar que sabia da forma como feita a compra dos 200 respiradores durante a pandemia de coronavírus, alvo de investigação por suspeita de irregularidades.

      

— A gente percebe que há uma vontade de trocar o governo por um grupo que não é a maioria dos parlamentares, é um grupo pequeno, mas que entende, talvez um terceiro turno, talvez o inconformismo com a eleição, de tirar. E não se quer tirar só o governador, quer tirar o governador e a vice-governadora para que se troque o governo. Eu acho isso muito perigoso — declarou Moisés, em entrevista ao jornalista Raphael Faraco.

O governador disse ainda que os processos contra ele não têm “justa causa”, e que eles são uma reação a mudanças feitas na administração, como a revisão de contratos que seriam prejudiciais ao Estado.

Ele afirmou ainda que, caso os pedidos de afastamento sejam legitimados pelo legislativo, podem provocar uma “banalização do processo de impeachment”, com reflexos também nas prefeituras.

— Nós teremos aí prefeitos, daqui a pouco, que não tendo eventualmente maioria na Câmara do seu município vão ser cassados — disse.

Moisés, porém, mostrou-se confiante em relação ao resultado dos processos:

— A gente acredita que temos a base sim para conter este processo de impeachment. São 14 votos que o governo precisa e nós temos essa sensibilidade de vários deputados, acreditamos que vamos ter mais do que isso — afirmou.

O governador também voltou a negar que tenha tido ciência de irregularidades na compra dos 200 respiradores pelo governo do Estado.

— Nós afirmávamos que a compra com pagamento adiantado seria possível com garantia. A gente só soube que foi feito o pagamento antecipado sem a garantia depois que ele já havia sido concretizado. Aí tomamos todas as medidas necessárias (...) Na medida em que o governador tem ciência do problema, determina que seja apurado. Esse é o fato real e qualquer governador, no âmbito de suas atribuições, faria a mesma coisa — declarou.

Processos de impeachment 

Dois processos de impeachment tramitam na Alesc contra Moisés, e o pedido para um terceiro foi entregue nesta terça (8).

O mais recente processo de impeachment aceito pede o afastamento do governador e da vice, Daniela Reinerh (sem partido), por conta compra dos 200 respiradores e pela tentativa de contratação de um hospital de campanha em Itajaí, no Vale, durante a pandemia. Os autores da denúncia são 16 pessoas, incluindo advogados e empresários.

Já o primeiro primeiro pedido aceito na Casa contra Moisés e Reinerh, inclui ainda o secretário de Estado da Administração, Jorge Tasca, e tem como justificativa um possível crime de responsabilidade cometido por conta do aumento salarial concedido no ano passado aos procuradores do Estado com o intuito de equiparar o salário deles aos dos procuradores da Alesc. O autor é o defensor público Ralf Zimmer Júnior.


Fonte: NSC 

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