24 de agosto de 2020

O contexto destruidor da violência contra a mulher

 

Imagem: @penciledcelebritie


Por:

Liliane Neris da Silva – Psicóloga – CRP 12/19216

Tailândia Guzzi Danielewicz – Psicóloga –  CRP 12/18110

 

A violência contra a mulher se inicia lentamente e com sutileza. No entanto, com o decorrer do tempo, a tendência é de as circunstâncias se agravarem, a ponto de chegar a patamares irreversíveis. Devido a essa sutileza das agressões, que escapa pelos detalhes, a mulher não percebe que tais atos estão ocorrendo. Assim, mesmo que ocorram com frequência, ela os percebe apenas quando já estão em estágio avançado. A vítima, portanto, sente-se “presa” a algo que nem soube ter sido “amarrada”. Nesse sentido, a subjetividade da mulher que vivencia tamanha crueldade, principalmente por aquele que ela idealizou como figura de proteção, denota uma fragmentação, sentida em todos os aspectos de sua vida.

Diante deste cenário deletério de violência doméstica e sem a compreensão dos acontecimentos, o rompimento do ciclo se torna árduo para a vítima. Há necessidade de suporte familiar e social para auxiliar na identificação dos sinais de violência e para o tratamento dos danos causados. Afinal, a culpa predomina em seu ser, sendo este um sentimento cultivado pelo agressor. 

Vale ressaltar que a violência física pode ocorrer, mas outras também, como: moral, patrimonial, sexual e psicológica. Todas acarretam conflitos internos e externos e deixam marcas definitivas na vida de quem as sofre.

Por isso, toda mulher precisa observar seus relacionamentos e identificar desde o início sinais que lhe causam desconforto. Estar atenta com o controle exagerado; Com exigências para evitar visitas e companhia de amigos e parentes; Se repentinamente deixou de ter vida social; Se passou a ter necessidade de aprovação na forma de se vestir ou de se portar; Se ocorrem discursos agressivos com comentários depreciativos; Se tem sentimentos de medo e insegurança; E ainda, se sente a obrigação de satisfazer o parceiro.

É imprescindível, portanto, que quem se encontra nesta situação procure ajuda profissional (psicológica, policial, jurídica), e proporcione uma nova perspectiva para sua vida.



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